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terça-feira, 9 de agosto de 2011

Roberta Carvalho: “Transformando olhares pela arte, tecnologia e natureza”


Roberta é artista visual, designer e produtora independente. Premiada diversas vezes, suas pesquisas e experimentações artísticas a levaram para um caminho de interação entre tecnologia, gente e meio ambiente. Atualmente viaja pelo Brasil com o Projeto #Symbiosis, onde capta e projeta diversos olhares sobre aquilo que o homem entende por natureza.


Por conta das aulas numa escola livre de filosofia, onde pôde ler Nietzsche, Kierkegaard e Wittgenstein, relacionando esses autores com Kafka, zen budismo e Fernando Pessoa, Roberta Carvalho começou a expandir seus horizontes. Na época com 15 anos, ela foi invertendo a ordem natural da vida de uma adolescente e buscando uma maneira diferente de ver o mundo, inventando regras próprias no cotidiano.

Lendo freneticamente, Roberta foi se aproximando de debates sobre questões existenciais que hoje transbordam em seu trabalho de artista multimídia e multiplataforma. Ela já havia se aventurado pela graduação em Letras, mas se formou em Artes Visuais pela UFPA. Após a graduação, seguiu trabalhando como designer, enquanto ganhava espaço no disputado meio artístico.

Em 2006, Roberta ganhou a Bolsa de Pesquisa, Experimentação e Criação Artística do Instituto de Artes do Pará (IAP) e uma menção honrosa no Salão de Pequenos Formatos da Unama. Em 2009, foi contemplada com a Bolsa de Criação Artística da Fundação Ipiranga. No mesmo período, participou de publicações que mapeavam a arte contemporânea brasileira, como “Sequestros: Imagem na Arte Contemporânea”, de Orlando Maneschy (Edufpa, 2007).

Como produtora cultural, realizou uma exposição do artista plástico Acácio Sobral e a coletiva “Swimming Pool”. Ao mesmo tempo foi marcando território como artista visual em exposições como “Contiguidades: Dos Anos 70 a 2000”, “Traços e Transições Revisitadas”, “Fronteiras Entrecuzadas com Alex Flemming” e “Cartografias Contemporâneas”.

O Festival de Mídias Internacionais Vivo Arte Mov, que aconteceu no ano passado em Belém, também levou a assinatura da versátil Roberta, responsável pela direção de arte do “Arraial da Luz”, de Luiz Braga, e do projeto de centenário de Líbero Luxardo (MIS/PA). Na internet, ela é diretora artística e editora da revista Não-Lugar, sobre arte e cultura, no ar em www.naolugar.com.br.

PELO BRASIL


Sempre em movimento, a artista leva o projeto #Symbiosis para a inauguração do novo Sesc Campinas e onde acontece também da itinerância da 29º Bienal de SP, sob a curadoria de Agnaldo Farias. “Em seguida participo do Paraty em Foco, no Rio de Janeiro, e já tenho convites para Belo Horizonte, Rio e Argentina”, enumera a artista.

O projeto #Symbiosis, que conquistou em fevereiro deste ano o Prêmio “Diário do Pará”, no Diário Contemporâneo de Fotografia, apresenta uma série de projeções videográficas e fotográficas em copas de árvores, suscitando as mais diversas reações do público. Recentemente foi contemplado pela Funarte com o prêmio Microprojetos da Amazônia Legal.

O mundo a partir da arte

Em entrevista para Lorenna Montenegro, do Diário do Pará, Roberta Carvalho falou sobre as motivações e desafios de sua promissora carreira.


P: O projeto #Symbiosis já passou por muitos lugares e se estabeleceu em São Paulo como sucesso. Qual o futuro dele e o que representa na sua trajetória?

R: Acho que os convites começam a surgir com mais frequência quando os produtores e curadores começam a conhecer mais o projeto, que vai além da mera utilização da árvore como suporte de projeção. Talvez existam alguns artistas que utilizaram as árvores como anteparo, no entanto, é muito interessante perceber que a legitimidade do meu projeto é o fato dele ter nascido no seio da Amazônia - onde a relação com a tecnologia é outra se comparada aos grandes centros - e que incorpora essas pessoas no trabalho. Existe a relação e o diálogo com a natureza e com a cultura também. Agora o #Symbiosis está numa fase de relacionar-se mais intimamente com as pessoas do local por onde ele passa, numa espécie de estética relacional, onde o ambiente, o local, as pessoas e as circunstâncias fazem parte do trabalho. Até hoje as pessoas me contam por e-mail como essa experiência tem sido transformadora Isso tem um valor inestimável.

P: Qual o grande desafio do seu trabalho?

R: Aos 17 anos eu fazia poesia visual, texto e imagem. Essa foi a janela para a minha entrada no universo das artes visuais. Minha motivação vem de um profundo desejo de responder minhas próprias questões. E quando você percebe que isso tem diálogo com centenas de pessoas, aí tudo ganha ainda mais sentido. Ver os outros olhando pelos seus olhos, dando retorno, é uma sensação de integração com o mundo. Isso para mim faz todo o sentido.

P: O que vem primeiro quando concebes um trabalho, a necessidade de impactar visualmente ou explicitar uma ideia?

R: Acredito que o olho, assim como o ouvido, seja um órgão sensível, que quanto mais virtuoso for o estímulo, maior a resposta sensorial. Somos seres sensoriais, não podemos perder de vista essa nossa capacidade. Acredito que a arte tem a ver com isso. E a ideia faz parte disso, então traduzir esta ideia por meio de um linguagem é o papel do artista.

P: Como você lida com a tecnologia na arte?

R: Instiga-me a possibilidade de preencher de significados esses espaços da tecnologia. A tecnologia em si já resolve muitas coisas técnicas, cabe ao artista preenchê-la de significados. Sem isso ela tende a cair no vazio e na frieza. Meu trabalho se pauta muito numa espécie de desprogramação/reprogramação dos instrumentos técnicos - logo a tecnologia se faz imprescindível. Utilizo o projetor para algo que de certa forma não é a sua função. Eu sou apaixonada por tecnologia, mas fascinada por um pensamento de desconstrução da função destes dispositivos e da utilização deles para a produção de outros sentidos além da função técnica.

P: Como se constrói o caminho do artista? Quais as dicas para quem começa a desenvolver trabalhos visuais?

R: Acredito que a construção do artista se dá em primeiro lugar pela necessidade de comunicação. A arte é uma forma de estar no mundo e de lhe dar com a vida. A dica é ver muito, conhecer a história da arte e viver! Perceber a vida como matéria da arte e que a matéria da arte está em todo lugar: dentro de você, da sua casa ou além da janela da sua casa. É uma espécie de visão contemplativa, mas principalmente ativa, que quer se interpor, dizer, agir e dialogar com tudo isso. Eu sou apaixonada pela vida, pela arte e por cada segundo desse momento único que passamos por aqui.

P: Como será a sua participação no TEDxVer-o-Peso?

R: Foi uma surpresa muito boa ter recebido o convite, primeiro porque admiro e acompanho a iniciativa do TED há algum tempo e sempre admirei a forma livre e instigante com que eles conduzem a proposta. Os palestrantes vão desde Al Gore ao artista paraense e amigo Alexandre Sequeira, que participou da edição em Manaus e fez uma das falas mais bonitas que assisti no TED.

Acho que devo falar da minha experiência de vida como artista na busca de sentido e diálogo com o mundo a partir da arte, tendo como vetor de tudo isso o #Symbiosis. Acho que o foco é fazer sentir um pouco do que vivo e como me relaciono com o mundo a partir da arte.




Para mais informações sobre o TEDxVer-o-Peso

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