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sábado, 27 de agosto de 2011

Pedro Markun: ativismo online em prol da cidadania

Pedro Markun defende acesso à rede como forma de dar poder ao cidadão
Faltava um dia. Depois de 39 dias de arrecadação, o projeto “Ônibus Hacker” se aproximava do fim e só tinha alcançado R$ 28.251, dos 40 mil necessários para deixar de ser apenas uma boa ideia, das muitas boas ideias que vão parar no site colaborativo Catarse. Foi o tempo suficiente para o web-ativista Pedro Markun escrever um e-mail para amigos e conhecidos pedindo ajuda.

“Eu acredito cada vez mais na força das redes. Acredito realmente que é possível gerar transformação (na política, na sociedade, na vida) pelas pontas. O Ônibus Hacker é um projeto da Transparência Hacker, uma comunidade com mais de 600 membros, que está nos momentos finais de arrecadação. Um ônibus transformado e equipado com todas as traquitanias digitais que permitem essa transformação. Um ônibus hiperconectado que vai a todo momento contar para as pessoas onde está e o que está fazendo. E que está se propondo a rodar o Brasil para trocar experiências, aprender e ensinar novas formas de participação política - divulgando software e culturas mais livres, ensinando as pessoas sobre o processo político e como elas podem fazer as próprias leis, conversando com os educadores e os poderes municipais, hackeando processos, inventando e criando arte...”, escreveu.

Depois do e-mail, R$ 58 mil e uns trocados a mais, o projeto superou a meta inicial, graças à doação de 464 pessoas que Pedro gostaria muito de saber quem são.

“Mandei e-mail para dois tipos de pessoas, os amigos e pra gente que dissesse: ‘Caraca, eu preciso que o mundo tenha um ônibus hacker para fazer coisas que eu nem sei quais são ainda’”.

O ônibus deve se embrenhar nos confins do Brasil ainda este ano. Primeiro pelas cidades mais próximas de São Paulo. “Para irmos entendendo a dinâmica da estrada, pegando jeito, até irmos para outros rincões do país”.

A Amazônia está na rota do grupo, numa versão adaptada para os rios. “Há possibilidade de ser um barco. Vou conversar com o Ministério Público do Pará, porque existe a ideia de fazermos isso nas cidades paraenses. Mas com certeza o Ônibus Hacker vai rolar em Santarém (PA). Devo uma visita pra galera do movimento Poraquê, que faz parte do Transparência Hacker”, adianta.

“Ônibus Hacker – Em busca da milha perdida” é um dos mais recentes projetos do movimento que ele criou em 2009 na internet, o Transparência Hacker, um espaço para que desenvolvedores web, jornalistas, designers, gestores públicos e outros indivíduos dos mais diferentes perfis proponham e articulem ideias e projetos.

“É um espaço aberto, democrático. A grande mágica do digital é você poder criar as coisas a partir do nada”, ensina.

E foi no ambiente digitalizado que um dia Markun se deparou com o convite para participar do TEXVer-o-Peso. O evento é uma adaptação do TED (Tecnologia, Entretenimento e Design) criado em 1984 nos Estados Unidos para reunir pensadores, empreendedores, artistas e ativistas do mundo todo para compartilhar ideias que fazem a diferença.

EM BELÉM

Pela primeira vez em Belém, o TED é chamado por aqui de TEDxVer-o-Peso. Ele terá vídeos de palestras (TEDTalks) e palestrantes ao vivo para impulsionar conexões e discussões de alcance local, regional e global.

O evento, que ocorre hoje, é aberto somente a pessoas inscritas previamente no site da organização.

O TEDX traz para a Amazônia a diversidade de histórias e experiências de pessoas com idades e formas de viver completamente diferentes. Gente que vai da erveira Beth Cheirosinha, passa pelo fotógrafo Adriano Gambarini e chega ao grafiteiro Mundano, entre outros.

“Eu não ia perder a chance de fazer a melhor palestra da minha vida, porque essa é a linha do TED. Você tem que ir para dar tudo de si. Todas essas histórias somam. Eu sempre aprendo muito quando ouço”.

Pedro tem 25 anos e é filho do escritor e jornalista Paulo Markun. Já cursou História e Comunicação Digital, mas desistiu de ambos os cursos. Hoje ele vai conversar com o público sobre a história da Transparência Hacker, comunidade da qual é membro fundador, além de discutir novas maneiras de fazer política na rede.

As pessoas que trabalham no Transparência utilizam a tecnologia de forma criativa em benefício da sociedade.

Entre os exemplos de ativismo on-line estão a clonagem do Blog do Planalto, que não versão original impedia comentários dos cidadãos. Todas as atividades desse paulistano são voltadas para alguma forma de ‘empoderar’ o cidadão. É o que faz ele ser a favor do download gratuito de músicas em MP3, por exemplo.

“Eu sou sempre a favor da liberdade de conhecimento. O conhecimento é um bem da humanidade e não acho que a gente deva restringir esse acesso de maneira alguma. A internet potencializa o ‘empoderamento’ do cidadão. Ela é uma ferramenta extremamente ‘empoderadora’ para transformação. Coloca o cidadão no papel de criador, de produtor. Ela desloca o eixo, permite a mudança de moderação desses meios. Mas, claro, ela não é a solução para todos os males do mundo”.

Outra iniciativa de Pedro Markun é o projeto “Livro Livre”, resultado do choque do rapaz ao chegar à Feira Literária Internacional de Paraty, em 2007, onde a população à margem não tinha acesso à principal atração da festa.

No ano seguinte, ele voltou com 500 livros de um sebo. “Livros bons”. E repassou. Pedro acredita que não se deve deixar livro algum cheio de poeira na estante de casa. “É um projeto para quem realmente gosta de livro. Porque se você gosta, você vai querer ver alguém lendo aquele livro”.

O web-ativista não tem dados precisos de quantos livros já foram repassados para outras pessoas. Porque nem ele mesmo contabiliza no site, criado para a ação, os livros que doou.

“É absolutamente desnecessário. O importante é o livro circular. Você pega o livro e distribui. Simples. Esse é um componente fundamental, ele é um projeto livre, você pode pegar, copiar, refazer, adaptar. O importante é não deixar o livro juntando poeira”, destaca.

(Diário do Pará)

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