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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Carnaval com Pará


Carro em homenagem à Ilha de Marajó
(foto: Rodrigo Gorosito/G1)

Por Camila Nakaharada, Christiane Kokubo e Karina Miotto

O Carnaval é esquisito. Tem gente que tem ojeriza, tem gente que idolatra, tem os indiferentes, tem quem ensaie o ano todo pra participar. É polêmico, sem dúvida. Em alguns lugares mais do que em outros, por conta dos envolvimentos publicitários, os sambas-enredos patrocinados, o afastamento do público, o trabalho infantil envolvido, que muita gente não vê.

Tudo isso é grave.

Mas o Carnaval tem momentos de emoção e alegria também. Quando a gente vê uma grande escola de samba no Rio de Janeiro homenagear o estado do Pará, onde está a nossa Belém, sede do TEDx-Ver-o-Peso, dá vontade de colocar o gogó pra funcionar. Desafinado solta a voz bem alto, perna-de-pau vira bailarino.

Quem não estava lá ao vivo e vê pela televisão ou pelo computador se emociona de qualquer jeito. Mesmo que não saiba o que seja carimbó, oby, cuara, que nunca tenha sentido o calor humano dum Círio de Nazaré. Mesmo que não seja lá muito fã da Fafá de Belém, da Gaby Amarantos, da Dira Paes, da lambada do Beto Barbosa, não tem jeito. Estava todo mundo lá vibrando junto, homenageando o Pará. “O Pará, seu sabor, seu cheiro, sua gente, suas tradições, estão na Avenida”, diz a sipnose do enredo. Até mesmo quem nunca pisou “nesse talismã do nosso país” é capaz de ter sentido vontade de chorar, tamanha a emoção causada pelo desfile da Imperatriz Leopoldinense.

Todo enredo conta uma história. E a magia dos carnavalescos da Imperatriz foi recontar a do Pará, que também foi cantada em outros carnavais, pela Beija-Flor, em 1998, e pela Viradouro, em 2004. Na madrugada da terça-feira (12), referências e reverências fizeram dos elementos locais a juta para trançar os versos, a poesia entitulada “Pará, o muiraquitã do Brasil”. A floresta, os índios, o Teatro da Paz, o mercado Ver-o-Peso, a festa de Círio Nazaré, a santa Nossa Senhora de Nazaré, a cerâmica marajoara, o carimbó e o tecnobrega... “Pra falar de riqueza pelas bandas daqui, tem que voltar pra floresta (…) quando o homem aprender com a gente daqui, a natureza respeitar / Todo povo vai sair na rua pra cantar”.

Eram 3.200 integrantes da escola balançando a cadeira e incentivando o coral improvisado no sambódromo. Karina Miotto, parte da nossa equipe e co-organizadora do TEDx-Ver-o-Peso, estava lá e sentiu o corpo tremer e se arrepiar. “Foi realmente incrível ver o Pará tão bem representado pela Imperatriz. Como não havia lido sobre todos os desfiles antes de chegar ao sambódromo, o que tive foi uma grata surpresa. Deu muita saudade do ex-lar! Que bom que logo estarei de volta, graças ao TEDxVer-o-Peso. Foi lindo demais!”, comemora.

Depois de 1h19 de desfile, a Imperatriz conquistou um disputado 4o lugar na colocação geral, o que garante sua volta pro sambódromo no desfile das campeãs de amanhã, sábado, 16/02, a partir das 23h10.

“Exemplo do mundo, Pará!” Que vontade de te visitar. Quer uma boa chance pra saborear os temperos e aguçar o paladar das boas ideias que renovam? As inscrições para participar da plateia do TEDxVer-o-Peso vão até o dia 22 deste mês, e o resultado da seleção sai no dia 1 de março. Aproveite!

E se você quiser conferir o samba-enredo

Autores: Me leva, Gil Branco, Tião Pinheiro, Drummond e Maninho do Ponto
Intérpretes: Dominguinhos do Estácio e Wander Pires

Raiou Cuara!
Oby aos olhos de quem vê!
Eu bato o pé no chão, é minha saudação,
Livre na pureza de viver!
Sopra no caminho das águas
O vento da ambição!
O índio, então...
Não se curvou diante a força da invasão,
Da cobiça fez-se a guerra,
Sangrando as riquezas dessa terra!
Cicatrizou, deixou herança,
E o que ficou está em cartaz...
Na passarela, “estado” de amor e paz!

Siriá... Carimbó... Marujada eu dancei!
No balanço da morena... Me apaixonei!
O bom tempero pro meu paladar...
De verde e branco “treme” o povo do Pará!

A arte que brota das mãos,
Dom da criação, vem da natureza...
Da juta trançada em meus versos
Se faz poesia de rara beleza!
Oh! Mãe... Senhora, sou teu romeiro,
A ti declamo em oração:
Oh! Mãe... Mesmo se um dia a força me faltar,
A luz que emana desse teu olhar
Vai me abençoar!

No Norte a estrela que vai me guiar,
Exemplo pro mundo: Pará!
O talismã do meu país,
A sorte da Imperatriz!

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