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segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Amazônia é destaque no primeiro TEDx no Pará

NOVAS IDEIAS: Palestrantes falaram sobre desafios para o desenvolvimento na região Norte

Felício Pontes denunciou matança no campo

Questionamentos sobre os principais desafios da região amazônica foram o destaque da primeira edição do TEDx no Pará, inspirada no mercado do Ver-o-Peso. O evento, que debates temas atuais a partir dos olhares da tecnologia, entretenimento e design, ocorreu no sábado, 27, e reuniu cerca de 100 pessoas representantes de diversas áreas pré-selecionadas no auditório do Sesc Boulevard. Nascido no Pará, Felício Pontes Junior, procurador da República no Estado, foi aplaudido de pé após defender com veemência um novo modelo de desenvolvimento para a Amazônia e afirmar que novas mortes no campo vão ocorrer se a sociedade brasileira continuar passiva.

Felício Pontes Junior lembrou da sua infância em Abaetetuba para justificar a razão pela qual abraça a causa das minorias: “A convivência com povos indígenas me fez quebrar muitos tabus e preconceitos”, pontuou. Mostrou a luta da procuradoria pelos direitos dos povos da Amazônia, detalhou sua a convivência com a missionária Dorothy Stang e outros ambientalistas que foram assassinados por pistoleiros e comentou a atuação em prol do que serão atingidos pela hidrelétrica de Belo Monte. O procurador afirmou que, por suas posições, sofre perseguições políticas.


Mostrando imagens fortes e chocantes, o jornalista, doutor em ciência política, integrante da ONG Repórter Brasil e da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, Leonardo Sakamoto falou sobre a dura realidade de quem acredita na ilusão de uma vida melhor para acabar preso, isolado, explorado e abandonado em algum confim do Brasil – sob a ganância, a tortura física e psicológica alheias. “Será que o esse fracasso é somente culpa dos outros?” questionou Sakamoto, com a experiência de quem já cobriu conflitos armados e desrespeito aos direitos humanos no Timor Leste, Angola, Paquistão e Brasil.

Um dos fundadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o pesquisador Beto Veríssimo falou sobre a Amazônia que “poderá existir” em 2020. Para ele, desmatamento zero é possível, assim como aumento de produtividade com economia competitiva e floresta em pé. A transformação já pode ter começado e a cidade Paragominas, no Pará, é exemplo disso. “Cabe a nossa geração superar os paradigmas. Eu penso, sinto, vivo intensamente a Amazônia”, ponderou.

O TEDx Ver-o-Peso foi dividido em quatro blocos temáticos - sentir, observar, lutar e mudar - e contou com apresentações de especialistas e personalidades de vários cantos do País, entre elas a erveira Beth Cheirosinha. Sob o lema “ideias que merecem ser espalhadas”, o TEDx é um programa de eventos locais, auto-organizados, que reúnem pessoas para compartilhar uma experiência semelhante ao TED - evento que reúne alguns dos maiores pensadores, empreendedores, artistas e ativistas do mundo para compartilhar ideias que fazem a diferença em várias áreas do saber.

(O Liberal, 29.08.2011)

sábado, 27 de agosto de 2011

TEDx Ver-o-Peso encerra programação com palestras sobre mudar

O último bloco do TEDx Ver-o-Peso foi dedicado às palestras agrupadas com o tema "mudar". Quem abriu a etapa foi o arqueólogo Eduardo Góes Neves, que trabalha desde os anos 80 na região amazônica. Neves disse que a arqueologia é uma ciência que ajuda a desmistificar um pensamento que se tinha a respeito da Amazônia na época da abertura de fronteiras na região nos anos 70: "uma terra sem gente para gente sem terra". "As pesquisas arqueológicas mostram que a Amazônia sempre foi densamente ocupada", afirmou. Eduardo Góes Neves também apresentou exemplos de ações que tem comprometido sítios arqueológicos na região, como o crescimento urbano e as grandes obras energéticas. "Eu tenho medo de que essa marcha rumo ao futuro contribua com a destruição do nosso passado", declarou.

Em seguida, foi a vez do economista boliviano Juan Fernando Reyes. Ele mostrou uma iniciativa que é realizada no departamento de Pando, no norte da Bolívia, com o objetivo de garantir o cuidado da Amazônia por meio da conscientização das futuras gerações. O projeto se chama Bosque das Crianças e consiste na administração de uma área florestal pelos pequenos, que tomam decisões em conjunto para exercer o controle e garantir a preservação da natureza. Lá, também aprendem a conhecer plantas, animas e ecossistemas, além de manejar os recursos naturais. "Acredito que a construção de valores se dá na infância. Por isso, o projeto pode gerar bons frutos em longo prazo. Deixemos o curto prazo para os políticos", disse Reyes.

O evento prosseguiu com o vídeo de uma palestra proferida no TEDx Sudeste, em 2010, com Tiago Pereira, que falou sobre o projeto "Doe Palavras". A iniciativa tem o objetivo de ajudar pacientes com câncer com o envio de mensagens confortantes via site ou Twitter. Elas são reproduzidas em televisores de hospitais oncológicos. O vídeo com Tiago foi programado para substituir a presença do publicitário Guilherme Araújo, que não pôde comparecer ao TEDx Ver-o-Peso.



Em seguida, foi exibida uma TED Talk com Ric Elias, um dos passageiros do voo que aterrissou no rio Hudson, perto de Nova York, em 2009. Ele contou sobre os momentos que passou quando o avião desceu desgovernado e de que forma a experiência transformou a vida dele.



A última palestra do TEDx Ver-o-Peso foi da dançarina Bruna Cibely, do Arraial do Pavulagem, que falou sobre a cultura popular amazônica. Ela relatou iniciativas de trabalhos junto a comunidades com o objetivo de despertar o interesse pelas tradições culturais junto a jovens acostumados a consumir ritmos e referências de outras regiões. A surpresa da palestra ficou pela participação de integrantes do grupo do Boi Orube do Satélite, entre músicos e cantores. Ao final da apresentação, o público foi chamado para dançar na frente do palco. Uma apoteose que foi uma verdadeira celebração do folclore paraense.

TEDxVer-o-Peso: Um bloco dedicado ao tema lutar

Foto: Marcelo Lelis

Após o intervalo do almoço oferecido pela organização do TEDx Ver-o-Peso para os participantes do evento, o bloco monopolizado por homens foi aberto com a apresentação de um vídeo do TED Talks em que a escritora e ativista Isabel Allende falou sobre mulheres, criatividade, a definição de feminismo e, claro, sobre paixão.




Foto: Marcelo Lelis

Mostrando imagens fortes e chocantes, o jornalista, doutor em Ciência Política, integrante da ONG Repórter Brasil e da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo, Leonardo Sakamoto, com a experiência de quem já cobriu conflitos armados e desrespeito aos direitos humanos no Timor Leste, Angola, Paquistão e Brasil, falou sobre a dura realidade de quem acredita na ilusão de uma vida melhor para acabar preso, isolado, explorado e abandonado em algum confim do Brasil – sob a ganância, a tortura física e psicológica alheias. "Será que o esse fracasso é somente culpa dos outros?" questiona Sakamoto.

Foto: Marcelo Lelis

O Procurador da República do Ministério Público Federal do Pará Felício Pontes Junior lembrou da sua infância em Abaetetuba para justificar a razão pela qual abraça a causa das minorias com sensibilidade e inteligência, "a convivência com povos indígenas me fez quebrar muitos tabus e preconceitos", pontuou. Mostrou o profissionalismo e comprometimento com que luta pelos direitos dos povos da Amazônia. Acompanhou a vida e a morte de Dorothy Stang, atua em prol dos atingidos por Belo Monte – e por isso sofre perseguições políticas. Foi uma das apresentações mais emocioantes do TEDx Ver-o-Peso e o público o aplaudiu de pé ao fim de sua fala.

Foto: Marcelo Lelis

Um dos fundadores do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), o pesquisador Beto Veríssimo falou sobre a Amazônia de 2020 e garante ser bem realista em suas afirmações otimistas. Desmatamento zero é possível, assim como aumento de produtividade com economia competitiva e floresta em pé. A transformação já pode ter começado e a cidade Paragominas, no Pará, é exemplo disso. "Cabe a nossa geração superar os paradigmas. Eu penso, sinto, vivo intensamente a Amazônia", conclui.

Pedro Markun vem discutindo uma nova forma de fazer política, que torna possível influenciar uma cidade de maneira aberta e sem usar terno e gravata. Sócio-diretor da Esfera e membro fundador da Transparência Hacker, é ativista pelos dados abertos e pela liberdade na rede. Criou o clone do Blog do Planalto (a diferença é que permite comentários) e o Jogo da Vida do Processo Legislativo. Trabalha na Casa de Cultura Digital com cerca de 60 pessoas que acreditam que a internet e as ferramentas digitais são instrumentos de empoderamento e autonomia do cidadão.

O bloco finalizou com a apresentação da cantora Daniella Alcarpe acompanhada pelo seu marido violonista Daniel.

O TEDxVer-o-Peso pode ser visto ao vivo pela internet. Acesse o link www.livestream.com/tedx. Siga também o Twitter @tedxveropeso para mais informações.

TEDxVer-o-Peso: Observar foi o tema da segunda etapa de palestras

A segunda parte do TEDxVer-o-Peso começou com a exibição de um TED Talk da escritora Elizabeth Gilbert, autora do best-seller Comer, Rezar e Amar, que reflete sobre as coisas impossíveis que esperamos dos artistas e gênios -- e divide conosco a idéia radical de que, em vez dessas pessoas raras "serem" gênios, todos nós deveriamos "ter" um gênio. É um relato muito pessoal, bem humorado e surprendentemente emocionante.




Foto: Marcelo Lelis

Logo em seguinda o grafiteiro Mundano mostrou como a arte a arte é poderosa para melhorar o mundo em que vivemos. Há sete anos ele vem colorindo os muros cinzas das grandes cidades ao redor do mundo. O grafite que espalha por aí – inclusive em carrinhos de catadores de material reciclado – traz personagens e frases de efeito que despertam reflexões, influenciam pessoas e alteram hábitos em manifestações silenciosas e eficientes.

Foto: Marcelo Lelis

Na sequência, Lourenço Bustani, que é filho de diplomatas e passou grande parte de seus 31 anos fora do Brasil, falou no TEDxVer-o-Peso de sua experiência no exterior e as mudanças que essa vivência provocou em sua carreira. Formado em Relações Internacionais e em Business pela Universidade de Pensilvânia, trabalhou em banco e consultorias. Em 2004 voltou de vez para a pátria amada. Desencantado com a falta de ética no mercado e inspirado pelo budismo, fundou com Igor Botelho a Mandalah, uma empresa que desenha estratégias de inovação consciente. As equipes são multidisciplinares e habitam estruturas caseiras onde “sentir-se bem” é sinônimo de “trabalhar bem”.

Foto: Marcelo Lelis

A artista visual premiada, designer e produtora independente Roberta Carvalho dissertou sobre suas pesquisas e experimentações artísticas que a levaram para um caminho de interação entre tecnologia, gente e meio ambiente. Atualmente viaja pelo Brasil com o Projeto #Symbiosis, onde capta e projeta diversos olhares sobre aquilo que o homem entende por natureza.

Foto: Marcelo Lelis

Para abrir o apetite antes do intervalo para o almoço, a consultora empresarial com formação em Engenharia Civil Valnete Macedo e cozinheira eventual encerrou o bloco falando de comida. Já teve uma lanchonete com uma proposta de refeição saudável, mas achava que seu destino não era “atrás do fogão”. Seguiu outros caminhos e hoje, novamente, encontrou na cozinha um talento e uma maneira de trabalhar com prazer. Valnete explora a culinária com empreendedorismo e amor, inventando um jeito saudável de viver.

O TEDxVer-o-Peso pode ser visto ao vivo pela internet. Acesse o link www.livestream.com/tedx. Siga também o Twitter @tedxveropeso para mais informações.

TEDx Ver-o-Peso: primeiro bloco de palestras falou sobre o tema Sentir


Fotos: Marcelo Lélis

Chegou o dia que todos esperávamos! O TEDx Ver-o-Peso deu início à sua programação repleta de palestras transformadoras e ideias que merecem ser espalhadas. Pouco mais de cem pessoas participam do primeiro evento TEDx em Belém, realizado no auditório do SESC Boulevard.


O TEDx Ver-o-Peso está dividido em quatro blocos temáticos: sentir, observar, lutar e mudar. O primeiro bloco, sentir, foi aberto com a palestra do terapeuta Fábio Novo. Depois de trabalhar como executivo de marketing por 15 anos, ele decidiu trabalhar em vários projetos com foco na transformação da consciência individual e coletiva. Fábio abriu o TEDx propondo aos participantes uma dinâmica coletiva para encontrar harmonia e energia por meio da respiração. “A respiração é o caminho mais rápido para se conectar com a nossa consciência”, disse.


Em seguida foi a vez de uma pessoa que fez jus ao nome do evento: Beth Cheirosinha, vendedora de ervas do mercado do Ver-o-Peso, em Belém. Ela trabalha há 45 anos comercializando “remédios para o corpo e para a alma”, como banhos e essências que, diz a vendedora, funcionam para valer. Beth Cheirosinha falou ao público do TEDx por meio de um bate-papo com a host do evento, Karina Miotto, e contou um pouco da história da relação dela com o mercado. “Minha avó era erveira, minha mãe também. Quase tudo que sei da vida aprendi no Ver-o-Peso”, disse. Beth Cheirosinha arrancou risadas da platéia várias vezes, graças ao humor espirituoso típico das erveiras do Ver-o-Peso.


O terceiro palestrante do TEDx Ver-o-Peso foi o fotógrafo Adriano Gambarini. Geólogo de formação, Gambarini descobriu o gosto pela fotografia quase por acaso, durante pesquisas que fazia em cavernas. Numa dessas jornadas de trabalho, conheceu fotógrafos que lhe influenciaram a despertar o interesse. Gambarini agora viaja o mundo inteiro registrando imagens com um estilo próprio. “Sempre fotografei de uma maneira despretensiosa. Acho que isso se nota no meu trabalho. E fotografia é uma forma de conhecimento que merece ser compartilhada”, conta. Em quase 20 anos de carreira, Gambarini publicou fotos em várias revistas renomadas, entre elas a National Geographic. Além de registros da natureza, Gambarini costuma fazer imagens de pessoas em seus momentos de simplicidade e emoção. “A gente precisa de pouco para viver. A vida é simples, a felicidade é simples”, disse.

O primeiro bloco foi encerrado com o vídeo de uma emocionante TED Talk proferida em 2008, em Monterey, na Califórnia. A neuroanatomista Jill Bolte Taylor contou sobre sua experiência de ter um derrame cerebral depois de vários anos estudando os cérebros alheios. Confira o vídeo:


O TEDxVer-o-Peso pode ser visto ao vivo pela internet. Acesse o link www.livestream.com/tedx. Siga também o Twitter @tedxveropeso para mais informações.

Pedro Markun: ativismo online em prol da cidadania

Pedro Markun defende acesso à rede como forma de dar poder ao cidadão
Faltava um dia. Depois de 39 dias de arrecadação, o projeto “Ônibus Hacker” se aproximava do fim e só tinha alcançado R$ 28.251, dos 40 mil necessários para deixar de ser apenas uma boa ideia, das muitas boas ideias que vão parar no site colaborativo Catarse. Foi o tempo suficiente para o web-ativista Pedro Markun escrever um e-mail para amigos e conhecidos pedindo ajuda.

“Eu acredito cada vez mais na força das redes. Acredito realmente que é possível gerar transformação (na política, na sociedade, na vida) pelas pontas. O Ônibus Hacker é um projeto da Transparência Hacker, uma comunidade com mais de 600 membros, que está nos momentos finais de arrecadação. Um ônibus transformado e equipado com todas as traquitanias digitais que permitem essa transformação. Um ônibus hiperconectado que vai a todo momento contar para as pessoas onde está e o que está fazendo. E que está se propondo a rodar o Brasil para trocar experiências, aprender e ensinar novas formas de participação política - divulgando software e culturas mais livres, ensinando as pessoas sobre o processo político e como elas podem fazer as próprias leis, conversando com os educadores e os poderes municipais, hackeando processos, inventando e criando arte...”, escreveu.

Depois do e-mail, R$ 58 mil e uns trocados a mais, o projeto superou a meta inicial, graças à doação de 464 pessoas que Pedro gostaria muito de saber quem são.

“Mandei e-mail para dois tipos de pessoas, os amigos e pra gente que dissesse: ‘Caraca, eu preciso que o mundo tenha um ônibus hacker para fazer coisas que eu nem sei quais são ainda’”.

O ônibus deve se embrenhar nos confins do Brasil ainda este ano. Primeiro pelas cidades mais próximas de São Paulo. “Para irmos entendendo a dinâmica da estrada, pegando jeito, até irmos para outros rincões do país”.

A Amazônia está na rota do grupo, numa versão adaptada para os rios. “Há possibilidade de ser um barco. Vou conversar com o Ministério Público do Pará, porque existe a ideia de fazermos isso nas cidades paraenses. Mas com certeza o Ônibus Hacker vai rolar em Santarém (PA). Devo uma visita pra galera do movimento Poraquê, que faz parte do Transparência Hacker”, adianta.

“Ônibus Hacker – Em busca da milha perdida” é um dos mais recentes projetos do movimento que ele criou em 2009 na internet, o Transparência Hacker, um espaço para que desenvolvedores web, jornalistas, designers, gestores públicos e outros indivíduos dos mais diferentes perfis proponham e articulem ideias e projetos.

“É um espaço aberto, democrático. A grande mágica do digital é você poder criar as coisas a partir do nada”, ensina.

E foi no ambiente digitalizado que um dia Markun se deparou com o convite para participar do TEXVer-o-Peso. O evento é uma adaptação do TED (Tecnologia, Entretenimento e Design) criado em 1984 nos Estados Unidos para reunir pensadores, empreendedores, artistas e ativistas do mundo todo para compartilhar ideias que fazem a diferença.

EM BELÉM

Pela primeira vez em Belém, o TED é chamado por aqui de TEDxVer-o-Peso. Ele terá vídeos de palestras (TEDTalks) e palestrantes ao vivo para impulsionar conexões e discussões de alcance local, regional e global.

O evento, que ocorre hoje, é aberto somente a pessoas inscritas previamente no site da organização.

O TEDX traz para a Amazônia a diversidade de histórias e experiências de pessoas com idades e formas de viver completamente diferentes. Gente que vai da erveira Beth Cheirosinha, passa pelo fotógrafo Adriano Gambarini e chega ao grafiteiro Mundano, entre outros.

“Eu não ia perder a chance de fazer a melhor palestra da minha vida, porque essa é a linha do TED. Você tem que ir para dar tudo de si. Todas essas histórias somam. Eu sempre aprendo muito quando ouço”.

Pedro tem 25 anos e é filho do escritor e jornalista Paulo Markun. Já cursou História e Comunicação Digital, mas desistiu de ambos os cursos. Hoje ele vai conversar com o público sobre a história da Transparência Hacker, comunidade da qual é membro fundador, além de discutir novas maneiras de fazer política na rede.

As pessoas que trabalham no Transparência utilizam a tecnologia de forma criativa em benefício da sociedade.

Entre os exemplos de ativismo on-line estão a clonagem do Blog do Planalto, que não versão original impedia comentários dos cidadãos. Todas as atividades desse paulistano são voltadas para alguma forma de ‘empoderar’ o cidadão. É o que faz ele ser a favor do download gratuito de músicas em MP3, por exemplo.

“Eu sou sempre a favor da liberdade de conhecimento. O conhecimento é um bem da humanidade e não acho que a gente deva restringir esse acesso de maneira alguma. A internet potencializa o ‘empoderamento’ do cidadão. Ela é uma ferramenta extremamente ‘empoderadora’ para transformação. Coloca o cidadão no papel de criador, de produtor. Ela desloca o eixo, permite a mudança de moderação desses meios. Mas, claro, ela não é a solução para todos os males do mundo”.

Outra iniciativa de Pedro Markun é o projeto “Livro Livre”, resultado do choque do rapaz ao chegar à Feira Literária Internacional de Paraty, em 2007, onde a população à margem não tinha acesso à principal atração da festa.

No ano seguinte, ele voltou com 500 livros de um sebo. “Livros bons”. E repassou. Pedro acredita que não se deve deixar livro algum cheio de poeira na estante de casa. “É um projeto para quem realmente gosta de livro. Porque se você gosta, você vai querer ver alguém lendo aquele livro”.

O web-ativista não tem dados precisos de quantos livros já foram repassados para outras pessoas. Porque nem ele mesmo contabiliza no site, criado para a ação, os livros que doou.

“É absolutamente desnecessário. O importante é o livro circular. Você pega o livro e distribui. Simples. Esse é um componente fundamental, ele é um projeto livre, você pode pegar, copiar, refazer, adaptar. O importante é não deixar o livro juntando poeira”, destaca.

(Diário do Pará)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Mundano: Grafite como revolução


“Tô louco pra pintar um barco”, diz Mundano, enquanto se prepara para grafitar um muro na Avenida Governador José Malcher, em Belém. O tema será a construção da Hidrelétrica de Belo Monte e virá em forma de protesto. Muros, barcos, canoas, troncos de árvore, carroças, bicicletas, caixas d’água. Não importa o lugar. Para o grafiteiro de 25 anos, o que vale mesmo é passar a mensagem de sua revolução social.

“É muito mais interessante aproveitar a arte para fazer as pessoas pensarem. Quero fazer com que pensem sobre o assunto, mudem seus hábitos, sua forma de se apropriar do espaço público. Assim as pessoas podem se tornar agentes transformadores”, diz Mundano, que vê o grafite como uma arte pública. “Em Belém há muito espaço para fazer grafite, as pessoas são engajadas e a população tem uma boa relação com essa arte”, completa. A ideia de grafitar um barco é justamente poder levar sua mensagem a um maior número de pessoas.

O barco grafitado deve sair até domingo, quando Mundano volta para São Paulo. Até lá estará completo o painel de grafitagens da Avenida José Malcher com Assis de Vasconcelos. Maria das Dores Barroso, 65, passava pelo local ontem de manhã, e resolveu parar para ver o trabalho de Mundano e do coletivo Cospe Tinta Crew.

“Ah, vocês são os artistas? Parabéns, viu? Você não sabem como admiro o trabalho de vocês”, elogiou, deixando todos empolgados. “Isso é um reflexo da criatura. Olha que coisa linda. Só não gosto dos olhos enormes que vocês fazem. Acho horrível”. Ao que Mundano justificou: “É para observar melhor a cidade, os políticos corruptos”.

Horas antes, na noite de quarta-feira, 24, o mesmo grupo tentava grafitar as imediações da pista de skate da Praça do Marex, no bairro de Val-de-Cães. Só teve tempo de iniciar um desenho em amarelo sobre a tinta cinza. Cinza que cobriu todos os desenhos feitos anteriormente pelos amigos. A Guarda Municipal foi chamada para impedir a ação. Os animos afloraram. “Passaram tinta em cima do nosso desenho sem sequer nos consultar. Foi uma falta de respeito”, reclamava indignado o grafiteiro e arte-educador Ed Cardoso Moraes, 31, do Cospe Tinta. Uma representante da prefeitura apareceu no local e tudo aparentemente ficou resolvido.

Mundano já se acostumou com esses embates com o poder público. Esse, aliás, é um dos motivos pelo qual ele não revela seu verdadeiro nome. “Fica mais fácil me achar. E como vou continuar protestando?”.

Em 2007, as obras do grafiteiro pelos muros de São Paulo se transformaram em alvo da prefeitura por conta do projeto “Cidade Limpa”. “Era para retirar as propagandas das ruas, mas tiravam o grafite junto. Eu ia lá e fazia tudo de novo”.

Foi quando ele criou o projeto “Cidades Recicláveis” e passou a fazer sua arte nas carroças dos catadores de lixo. Gente que considera tão à margem quanto ele. “Somos seres invisíveis”, compara.

Nos veículos dos catadores, Mundano encontrou um novo significado para o próprio codinome. “Eu faço grafite para dar voz às pessoas. Então é o povo mundano que tem voz. O grafite não é apenas arte. Ele tem uma função social. Sempre tento fazer algo para causar uma revolução interna, instigar as pessoas a participar, porque ninguém faz nada sozinho”, ensina.

Livro

A experiência do “Cidades Recicláveis” será apresentada amanhã em Belém, durante o TEDxVer-o-Peso. A sigla TED (Tecnologia, Entretenimento e Design) reúne pensadores, empreendedores, artistas e ativistas para compartilhar ideias que fazem diferença em várias áreas. As palestras da conferência são posteriormente disponibilizadas no site TED.com.

O grafiteiro vai falar sobre o trabalho com os catadores, além de fazer uma intervenção na exposição da artista plástica Drika Chagas, no Sesc Boulevard.

Mundano vive da arte que produz. Ele vende, faz trabalho por encomenda. Só não abre mão da liberdade de criar. “Tem que ser um trabalho autoral, que me agrade, que eu queira fazer”.

A rua concentra grande parte da obra do artista, mas ele já teve espaço em exposições no Chile e na Argentina. E ainda vai participar este ano da Bienal de Arte de Rua na Bolívia.

O estilo exportação é bem-vindo, mas Mundano prioriza o país onde nasceu. “Meu foco é o Brasil. Quero publicar um livro com esse trabalho com os catadores. Já estou fazendo pesquisa, tenho muita foto, quero me dedicar cada vez mais a esse trabalho”, adianta. (Diário do Pará)

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Beth Cheirosinha: "Paixão e orgulho de ser erveira do Ver-o-Peso"

Beth é erveira na maior feira livre da América Latina, o Ver-o-Peso. Descendente de indígenas e ex-escravos, nasceu em Belém, no bairro do Guamá, onde vive até hoje. É neta e filha de erveiras, de quem herdou o conhecimento tradicional sobre as plantas da floresta, hoje repassado à filha. São 45 anos de profissão e muitas palestras Brasil afora. Já foi convidada para sair do Pará, mas recusou o convite. Preferiu continuar recebendo pessoas em sua barraca no Ver-o-Peso.


Alô freguês, bom dia meu lindo, vá chegando que aqui a casa é nossa”. É impossível passar pelo setor de ervas, que existe na feira do Ver-o-Peso, e não ouvir pelo menos uma saudação igual a esta.

Tanto calor humano, simpatia e carinho vêm sendo repetidos e aprimorados há dezenas de anos pelas erveiras e erveiros, pessoas que aprenderam com os pais, avós e bisavós os segredos de perfumes, sabonetes, banhos e outras centenas de itens produzidos pela mistura de ervas, cujas raízes são fincadas na Amazônia, mas que já ganharam adeptos – anônimos e celebridades - em todo o Brasil e exterior.

Tão antiga quanto as lendas que povoam o imaginário amazônico, a tradição de tomar banhos com os aromas do patchouli, alfazema, alecrim, priprioca, jasmim, sândalo e talo de mandioca, dentre outros, faz parte da cultura parauara. É mais difícil encontrar um paraense, nascido e criado no Estado, que nunca tenha experimentado um banho de cheiro do que o contrário. E a variedade dos aromas e suas aplicações é tão grande que, além da divulgação maciça nos meios de comunicação, o assunto já é um clássico da literatura: no livro “Banho de Cheiro”, a escritora Eneida de Moraes descrevia as maravilhas do “Banho da Felicidade” e seus encantos; isso em 1962.


Não se sabe exatamente se o trabalho das erveiras é uma herança indígena ou cabocla. De uma coisa todas têm certeza: a tradição é centenária e vai sendo repassada, orgulhosamente, de mãe para filhos. “Comecei, ainda criança, misturando as ervas e preparando os banhos que mamãe vendia. Hoje também trabalho com os produtos e sei muita coisa que só o passar dos anos ensina”, diz Leila do Socorro, uma das três filhas de Clotilde Melo de Souza, a dona Coló, erveira há mais de três décadas.

Para agregar esses profissionais, foi criada inclusive, há três anos, a Ver-as-Ervas – Associação de Erveiras e Erveiros do Ver-o-Peso, que reúne 102 membros e um universo de, aproximadamente, 500 pessoas. Um dos objetivos da entidade, sem fins lucrativos, é buscar a sustentabilidade das erveiras, mas sem perder a identidade, preservando a cultura e biodiversidade amazônicas. “Fazemos até um apelo a quem aprecia os banhos de ervas: comprem os produtos somente com profissionais de confiança. Há gente, que não sabe fazer as misturas, vendendo banhos a esmo nas ruas. Aqui nós trabalhamos com o produto há muitos anos e garantimos a sua eficácia”, acrescenta Leila, que faz parte da diretoria da Associação.

Para as erveiras, tirando a morte, há remédio para tudo: da cura dos males do coração, de doenças do corpo e da mente, ao sucesso nos negócios. Para afastar o famoso “olho gordo”, a lista inclui banhos de “hei de vencer”, “comigo-ninguém-pode” e “vence-batalha”. Um amor não correspondido tem como receita “chora-nos-meus-pés”. E para os comerciantes quebrarem recordes de vendas, nada como o “chama-tudo”, dizem as profissionais.

Conhecimento chega às escolas


Bernadeth Costa é um nome anônimo, mas fale em Beth Cheirosinha que logo vêm à mente a imagem da erveira que há 43 anos trabalha no Ver-o-Peso e que já percorreu boa parte do Brasil divulgando a feira da qual sua mãe, Maria de Lourdes das Mercês, a dona Cheirosa, é um dos maiores mitos. A agenda de Beth inclui palestras em escolas, universidades, congressos e variados eventos, sempre falando dos mais de dois mil produtos derivados de ervas.

“Temos clientes estrangeiros que não entendem nosso idioma e trazem intérpretes. Mas quando sentem os aromas de nossas raízes, compreendem tudo”, diz a dona Cheirosinha, que faz da barraca na feira a sua casa, onde se sente segura, feliz e realizada. “Já me fizeram propostas para sair do Pará, ganhar muito dinheiro e viver luxuosamente, mas sem a minha família, os amigos e longe da minha terra, que muito me orgulha, a vida não faz sentido”, emociona-se ela.

Vizinha de banca de Beth Cheirosinha, a erveira Clotilde Melo de Souza, a dona Coló, vai buscar na avó a origem da dinastia, que hoje já repassou aos netos os conhecimentos adquiridos em 33 anos de trabalho diário. “Minha mãe aprendeu a trabalhar com minha avó e me repassou o que sabia. Minhas filhas já seguem a tradição e as filhas delas também já são apaixonadas pela nossa cultura e raízes. Só paro de trabalhar com ervas no dia em que eu morrer. Não me imagino fazendo outra coisa na vida a não ser vivendo dos nossos produtos. Agradeço muito a Deus e a Oxalá por ser paraense e poder trabalhar com o que trabalho”, diz dona Coló.


As erveiras são um capítulo à parte na mundialmente famosa feira do Ver-o-Peso. Os banhos, sabonetes, perfumes, cremes, pomadas e demais produtos têm receitas repassadas de mãe para filhos e filhas, há mais de cem anos, e são apreciadas em todo o Brasil e no mundo. Se corretamente aplicados, segundo as erveiras e sua simpatia contagiante, os produtos, que têm entre seus adeptos celebridades como a cantora Fafá de Belém e a atriz Cláudia Raia, têm eficácia comprovada e resolvem problemas financeiros, amorosos e de saúde.


Para mais informações sobre o TEDxVer-o-Peso

Palestrante do TEDxVer-o-Peso será entrevistado pelo Sem Censura Pará desta quinta

Nesta quinta, 25, a partir das 14h30


O programa ‘Sem Censura Pará’ desta quinta-feira, 25, entrevistará um dos palestrantes do TEDxVer-o-Peso, o grafiteiro Mundanoque há sete anos vem colorindo os muros de grandes cidades ao redor do mundo. O programa começa às 14h30.

Também será entrevistada no programa a presidente da Associação Brasileira de Alzheimer, Viviane Abreu. Ela está em Belém para o VII Congresso Brasileiro de Alzheimer, que acontece pela primeira vez na capital paraense. E para finalizar, o bate-papo será com o violonista Sidney Molina, do quarteto de violões ‘Quaternaglia’ (SP). O grupo está na programação do 24º Festival Internacional de Música do Pará.

Confira a entrevista de Mundano no blog do TEDxVer-o-Peso

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Leonardo Sakamoto: “Sim, nós temos escravos. E lucramos com eles”


Jornalista e doutor em Ciência Política, já cobriu conflitos armados e desrespeito aos direitos humanos no Timor Leste, Angola, Paquistão e Brasil. O que viu e sentiu o levaram à fundação da ONG Repórter Brasil. É membro da Comissão Nacional para a Erradicação do Trabalho Escravo e colunista do portal Uol. Sakamoto vai falar sobre a dura realidade de quem acredita na ilusão de uma vida melhor para acabar preso, isolado, explorado e abandonado em algum confim do Brasil – sob a ganância, a tortura física e psicológica alheias.

Entrevista produzida por Gabriela Azevedo e publicada no Diário do Pará de 21 de agosto de 2011:

Em nome da liberdade


“O Pará é um Estado que tem muitos problemas, mas que é muito rico. O povo é guerreiro e essa é a esperança do Estado.”
De acordo com os dados divulgados em janeiro pelo Ministério do Trabalho, o Brasil tem 251 empresas na lista dos empregadores de mão de obra escrava. O Pará é o líder da lista, com 27 empresas. Os escravos foram abolidos há 123 anos e, na era em que vivemos, números tão altos protestam contra o nosso conformismo. Leonardo Sakamoto é um jornalista indignado com essa situação. Ele fundou a ONG Repórter Brasil que pesquisa e denuncia o trabalho escravo. Sakamoto estará em Belém para o TEDx Ver-o-peso, em agosto. Quem foi selecionado para o evento vai conhecer a iniciativa de Sakamoto, quem não pode descobrir um pouco mais nessa entrevista exclusiva para a coluna.


Quando você decidiu que o trabalho escravo era o tema que merecia sua atenção?

Não houve um momento específico. Eu sempre me interessei e trabalhei na área de direitos humanos. É claro que quando você se depara com uma grave violação de direitos humanos você se revolta. E não tem maior violação dos direitos humanos que o trabalho escravo. Ele agride a sua liberdade a sua dignidade. Fui narrando isso, trabalhando com isso aonde via. Faz mais de 12 anos que eu trabalho reportando denúncias de trabalho escravo.

Esse TEDx vai acontecer no estado com maior índice de trabalho escravo do país. Como você vê essa discussão hoje em dia? É um assunto que ainda precisa suscitar mais debates?

O acesso à informação sobre isso melhorou muito nos últimos anos, mas é claro que só melhorou se compararmos a uma época em que ninguém sabia de nada. Antes as pessoas achavam que o trabalho escravo havia acabado. Uma discussão como essa no Pará contribui para aumentar a informação. Mas não é apenas para lembrar que o problema existe, é para informar que depende da ação de cada um o fim dele.

O TEDx Ver-o-peso vai falar dos jeitos diferentes de viver. Você considera que faz um jornalismo diferente, que tem um diferente jeito de viver?

A minha vida é não-convencional. Não apenas pelo assunto com o qual eu trabalho, a escravidão, mas por causa dos direitos humanos. Eu rodo o Brasil todo, para reportar e denunciar. É interessante, mas muito intenso. Estou em contato com muitas tristezas sempre que me deparo com a notícia. É preciso pensar e refletir muito para encarar essas tristezas, se não você passal mal com tudo o que vê.

E quanto a programação para Belém, o que você está planejando para a palestra?

Em Belém quero mostrar para a sociedade o que é o trabalho escravo e como ele está inserido no nosso dia-a-dia. O trabalho escravo está no nosso consumo, está na casa do brasileiro. Ele não uma realidade do interior, de Marabá ou Carajás, por exemplo. O trabalho escravo está na capital. Quero mostrar como ajudamos a combater esse tipo de exploração.


Aproveitando que você vai estar no Pará, está pensando em esticar para realizar algum projeto da ONG?

Temos um programa no Pará. Desde 2004 a ONG opera o programa “Escravo, vem pensar!”. Com ele já formamos 3000 professores, inclusive no Pará. A ideia é que eles se tornem multiplicadores de informações pra esclarecer as dúvidas sober o trabalho escravo. Temos muitas parcerias com instituições locais para garantir que o programa seja melhor. O Pará é um estado que tem muitos problemas, mas que é muito rico. O povo é guerreiro e essa é a esperança do Estado. Ainda falta informação, mas quando ela estiver acessível a gente pode conseguir resolver o problema. Podemos ter uma grande cabanagem, quem sabe.


Para mais informações sobre o TEDxVer-o-Peso


quinta-feira, 18 de agosto de 2011

TEDxVer-o-Peso 2011: Informações e dicas úteis


Olá TEDxsters,

Faltam exatos 10 dias para o TEDxVer-o-Peso. Com o dia 27 de agosto cada vez mais perto, queremos compartilhar nosso grande entusiasmo! Para que cada momento seja incrível, preparamos tudo com muito cuidado e carinho. Verifique com atenção as informações abaixo e, em caso de dúvida, não deixe de nos procurar. Prepare-se, o TEDxVer-o-Peso está bem próximo!

Em Belém, muita gente confunde SESC Boulevard com SESC Doca, inclusive taxistas! Então, para você não correr o risco de parar no lugar errado, tenha em mãos o endereço completo e também lembre-se que o SESC Boulevard, local onde acontecerá o TEDxVer-o-Peso, é aquele que fica em frente a Estação das Docas, que por sua vez fica ao lado do mercado Ver-o-Peso.

Programação: O TEDxVer-o-Peso vai das 8h às 18h. Chegue cedo para não perder nenhum segundo! Não será permitido entrar após o início das palestras. Teremos quatro blocos, dois de manhã e dois à tarde. Entre eles teremos dois breaks de 45 minutos e duas horas de almoço.

Sua credencial: Poderá ser retirada das 8h às 9h, no próprio SESC Boulevard, no dia do evento. Chegue cedo, não deixe para a última hora. Fique o tempo todo com seu crachá para ter acesso às surpresas que preparamos para você.

Identifique-se: Traga um documento com foto para garantir sua entrada no evento.

Espaço: Os assentos são livres e ocupados por ordem de chegada. Não existe área vip, nem cadeiras reservadas. Ao entrar no auditório, sente-se nas cadeiras do centro, deixando lugares laterais livres. E, por favor, não reserve assentos.

O encontro: Vale lembrar que para nós, os momentos de confraternização são tão importantes quanto os de palestras. Por isso, pedimos que compartilhe o dia inteiro com a gente e venha aberto (a) para conhecer pessoas surpreendentes.

Apoiamos caronas: Sugerimos que você se organize com aqueles que conhece e que também irão ao TEDxVer-o-Peso. Dê carona, vá de carona.

Traje apropriado: Na verdade não existe um, mas a gravata pode ficar no armário! Jeans e camiseta é perfeito. Um sapato confortável é altamente recomendado. A dica é: vista algo que te deixe à vontade. Este é um ambiente informal, relaxe e aproveite o encontro.

Forasteiros: Estamos felizes em dizer que teremos muitas pessoas da comunidade que virão de outras partes do país. Ficamos muito honrados com seu empenho em se deslocar até aqui. Se você não é de Belém, aconselhamos a tomar vacina contra febre amarela antes de embarcar. Este é um procedimento normal a quem viaja para o norte do país.

Imprevistos: Esperamos que a data e local sejam convenientes para você. Mas, se por algum motivo você não puder estar presente, nos avise com antecedência para que outros inscritos sejam convidados. Os lugares são preciosos e tivemos que deixar muita gente de fora. Não segure o lugar se não conseguir comparecer. Avise-nos o quanto antes.

Alimentação: Ofereceremos um lanche durante os breaks e também almoço. Teremos opções para carnívoros e também para vegetarianos.

Algumas regrinhas importantes:

- Não permitimos fotografar nem filmar dentro do auditório. Isso dispersa e atrapalha tanto quem está falando quanto quem está assistindo.

- Publicar vídeos ou áudio das palestras é estritamente proibido. Temos uma equipe cuidando para que este conteúdo seja compartilhado com o mundo com a máxima qualidade. Isso é essencial para a nossa missão.

- Telefones com internet só poderão ser utilizados nas últimas fileiras do auditório, pois a luz destes gadgets atrapalha visibilidade do público e a captação do vídeo. Não permitiremos uso de notebooks ou Ipads.

- Não publique em seus blogs histórias ou fotos que possam invadir a privacidade de qualquer convidado.

- Por favor, evite conversas durante as palestras.

- Sua inscrição voluntária e ida ao evento implica na autorização expressa quanto a veiculação de imagens, de forma livre e irrestrita, em eventuais materiais dos patrocinadores e da organização do evento, sem necessidade de qualquer tipo de autorização formal. Caso não concorde com essa condição solicitamos que entre em contato pelo email inscricaotedxveropeso@gmail.com, antes do evento.

- Teremos 45 minutos de intervalo entre 4 blocos e duas horas de almoço, pedimos que fique atento (a) quanto ao horário para voltar ao auditório pra o bloco seguinte. Permaneceremos todos juntos durante breaks e almoço.

- Quando sair, mantenha objetos pessoais com você. Lugares novos a cada sessão!

Sugestões e dúvidas - Antes do evento sinta-se à vontade para entrar em contato conosco pelo email inscricaotedxveropeso@gmail.com.

Foram nove meses de muito trabalho para fazer o TEDxVer-o-Peso, mal podemos esperar pelo dia 27.

Você precisa saber que a audiência de um TEDx é sempre tão brilhante quanto os palestrantes. E é por isso que nós também convidamos você para espalhar suas ideias durante o primeiro encontro TEDxVer-o-Peso.

Vai ser muito bom conhecer você pessoalmente!

Um abraço,
Equipe TEDxVer-o-Peso

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Mundano: “Arte como instrumento de revolução social”


Para o grafiteiro Mundano, arte tem a ver com atitude. Há sete anos ele vem colorindo os muros cinzas das grandes cidades ao redor do mundo. O grafite que espalha por aí – inclusive em carrinhos de catadores de material reciclado – traz personagens e frases de efeito que despertam reflexões, influenciam pessoas e alteram hábitos em manifestações silenciosas e eficientes. No TEDxVer-o-Peso, ele vai mostrar como a arte é poderosa para melhorar o mundo em que vivemos. Como ele mesmo diz, um belo meio de “revolução social”.


MUNDANE-SE

Entrevista publicada na Revista do Diário, do Diário do Pará: 



Mundano atravessou as barreiras do graffiti e transformou a arte de rua em ferramenta artística social para quebrar o cotidiano cinzento da capital paulista. É dele o projeto Cidades Recicláveis que já coloriu diversas carroças de catadores de bugingangas, nas grandes cidades do país, com mensagens de impacto social. Com 25 anos de idade e sete deles dedicados as técnicas da grafitagem, ele mudou a paisagem dos muros e viadutos de São Paulo, Nova York (EUA), Buenos Aires (Argentina), Santiago e Valparaíso (Chile). Belém será o próximo alvo, no dia 27 de agosto, quando ele vai participar do TEDxVer-o-Peso e apresentar ao público de cem pessoas porque vale a pena investir em um Diferente Jeito de Viver.


Por que usar a sua arte para protestos sociais?

Eu sempre fiquei indignado com tantos problemas sociais ao meu redor e sempre quis fazer a minha parte pra amenizar isso. E quando comecei a pintar nas ruas eu descobri a força que eu tinha nas minhas mãos, pois grafite é uma das poucas artes que são democráticas . O graffiti é acessível para todas classes sociais, basta sair na rua que você vai se deparar com um pela frente, ou seja, não tem um lugar melhor pra fazer um protesto ou um projeto social do que na rua.

Que impactos você já observou causar com seus grafites?

Sempre que eu pinto uma carroça, por exemplo, eu aumento a auto-estima do catador (proprietário). É instantânea, Ele fica todo orgulho e sorridente e diz que agora, lá onde ele trabalha, todo mundo vai pirar na sua carroça. Esse retorno positivo das pessoas é tão bom, que vicia.


Como surgiu a ideia do Projeto Cidades Recicláveis?

Eu tava pintando na rua quando um carroceiro passou. Fui conversar com ele e o papo foi tão surpreendente que abriu minha cabeça para a importância do trabalho dos catadores. Desde então mergulhei de cabeça no universo deles e a cada carroça que eu pinto eu converso com o catador e assim aprendo um pouco mais e fico mais estimulado a continuar. Minha meta é tira-los da invisibilidade e fazer com que toda a população respeite e admire mais esse trabalho de extrema importância para todos nós. Já são 135 carroças pintado que circulando mensagens de impacto por grandes cidades desse mundo do desperdício.

Quando pensa em trazer o projeto pra Belém?

Belém sempre esteve em meus planos, mas não tinha pintado uma oportunidade até então. Agora com o convite pra participar no TEDxVer-o-peso certamente o projeto chegará as ruas de Belém e pra mim isso é uma grande conquista.

O que você está programando para a apresentação no TEDx Ver-o-peso?

Estou programando apresentar pela primeira vez alguns resultados do projeto Cidades Recicláveis, que desenvolvo há 4 anos com os catadores. Estou preparando um compilado para estimular e provocar as pessoas a fazer mais pelos outros. Se você não garantiu o seu lugar na platéia vai matar sua curiosidade quando o vídeo estiver na internet.


Que tal deixar sua arte em um muro da cidade?

Sempre que viajo deixo minha marca e minha mensagem nos lugares, e em Belém não será diferente. Estou muito empolgado e feliz com a ótima receptividade das pessoas com quem tenho falado em Belém. Minha estadia será curta, mas quem tiver um murinho bacana disponível pronto pra receber tinta me manda uma foto no artetude@gmail.com.

Grafitagem é um hobby que você parece levar muito a sério. Algum novo projeto em mente?

Levo a sério porque a arte tem um poder de mexer com as pessoas, muito maior do que a gente pensa. Esse ano fiz a segunda edição de uma esposição em parceria com a ONG Um Teto Para Meu Pais e o objetivo era vender as obras dos 130 artistas convidados e com o dinheiro construir casas. A exposição foi um sucesso de público, crítica e vendas! E somando ao dinheiro dasdas vendas, com as doações que a ong recebeu pela coleta nas ruas e ações pontuais, será possível financiar a contrução de 30 das 100 casas que serão construidas em agosto pela ONG. Dessa forma o projeto se consolidou e estamos no planejamento de novas edições!

Que tal deixar sua arte em um muro da cidade?

Sempre que viajo deixo minha marca e minha mensagem nos lugares, e em Belém não será diferente. Estou muito empolgado e feliz com a ótima receptividade das pessoas com quem tenho falado ai de Belém, inclusive já marquei uns roles por ai pra pintar. Minha estadia será curta, mas quem tiver um murinho bacana disponível pronto pra receber tinta me manda uma foto no artetude@gmail.com.




Para mais informações sobre o TEDxVer-o-Peso

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Roberta Carvalho: “Transformando olhares pela arte, tecnologia e natureza”


Roberta é artista visual, designer e produtora independente. Premiada diversas vezes, suas pesquisas e experimentações artísticas a levaram para um caminho de interação entre tecnologia, gente e meio ambiente. Atualmente viaja pelo Brasil com o Projeto #Symbiosis, onde capta e projeta diversos olhares sobre aquilo que o homem entende por natureza.


Por conta das aulas numa escola livre de filosofia, onde pôde ler Nietzsche, Kierkegaard e Wittgenstein, relacionando esses autores com Kafka, zen budismo e Fernando Pessoa, Roberta Carvalho começou a expandir seus horizontes. Na época com 15 anos, ela foi invertendo a ordem natural da vida de uma adolescente e buscando uma maneira diferente de ver o mundo, inventando regras próprias no cotidiano.

Lendo freneticamente, Roberta foi se aproximando de debates sobre questões existenciais que hoje transbordam em seu trabalho de artista multimídia e multiplataforma. Ela já havia se aventurado pela graduação em Letras, mas se formou em Artes Visuais pela UFPA. Após a graduação, seguiu trabalhando como designer, enquanto ganhava espaço no disputado meio artístico.

Em 2006, Roberta ganhou a Bolsa de Pesquisa, Experimentação e Criação Artística do Instituto de Artes do Pará (IAP) e uma menção honrosa no Salão de Pequenos Formatos da Unama. Em 2009, foi contemplada com a Bolsa de Criação Artística da Fundação Ipiranga. No mesmo período, participou de publicações que mapeavam a arte contemporânea brasileira, como “Sequestros: Imagem na Arte Contemporânea”, de Orlando Maneschy (Edufpa, 2007).

Como produtora cultural, realizou uma exposição do artista plástico Acácio Sobral e a coletiva “Swimming Pool”. Ao mesmo tempo foi marcando território como artista visual em exposições como “Contiguidades: Dos Anos 70 a 2000”, “Traços e Transições Revisitadas”, “Fronteiras Entrecuzadas com Alex Flemming” e “Cartografias Contemporâneas”.

O Festival de Mídias Internacionais Vivo Arte Mov, que aconteceu no ano passado em Belém, também levou a assinatura da versátil Roberta, responsável pela direção de arte do “Arraial da Luz”, de Luiz Braga, e do projeto de centenário de Líbero Luxardo (MIS/PA). Na internet, ela é diretora artística e editora da revista Não-Lugar, sobre arte e cultura, no ar em www.naolugar.com.br.

PELO BRASIL


Sempre em movimento, a artista leva o projeto #Symbiosis para a inauguração do novo Sesc Campinas e onde acontece também da itinerância da 29º Bienal de SP, sob a curadoria de Agnaldo Farias. “Em seguida participo do Paraty em Foco, no Rio de Janeiro, e já tenho convites para Belo Horizonte, Rio e Argentina”, enumera a artista.

O projeto #Symbiosis, que conquistou em fevereiro deste ano o Prêmio “Diário do Pará”, no Diário Contemporâneo de Fotografia, apresenta uma série de projeções videográficas e fotográficas em copas de árvores, suscitando as mais diversas reações do público. Recentemente foi contemplado pela Funarte com o prêmio Microprojetos da Amazônia Legal.

O mundo a partir da arte

Em entrevista para Lorenna Montenegro, do Diário do Pará, Roberta Carvalho falou sobre as motivações e desafios de sua promissora carreira.


P: O projeto #Symbiosis já passou por muitos lugares e se estabeleceu em São Paulo como sucesso. Qual o futuro dele e o que representa na sua trajetória?

R: Acho que os convites começam a surgir com mais frequência quando os produtores e curadores começam a conhecer mais o projeto, que vai além da mera utilização da árvore como suporte de projeção. Talvez existam alguns artistas que utilizaram as árvores como anteparo, no entanto, é muito interessante perceber que a legitimidade do meu projeto é o fato dele ter nascido no seio da Amazônia - onde a relação com a tecnologia é outra se comparada aos grandes centros - e que incorpora essas pessoas no trabalho. Existe a relação e o diálogo com a natureza e com a cultura também. Agora o #Symbiosis está numa fase de relacionar-se mais intimamente com as pessoas do local por onde ele passa, numa espécie de estética relacional, onde o ambiente, o local, as pessoas e as circunstâncias fazem parte do trabalho. Até hoje as pessoas me contam por e-mail como essa experiência tem sido transformadora Isso tem um valor inestimável.

P: Qual o grande desafio do seu trabalho?

R: Aos 17 anos eu fazia poesia visual, texto e imagem. Essa foi a janela para a minha entrada no universo das artes visuais. Minha motivação vem de um profundo desejo de responder minhas próprias questões. E quando você percebe que isso tem diálogo com centenas de pessoas, aí tudo ganha ainda mais sentido. Ver os outros olhando pelos seus olhos, dando retorno, é uma sensação de integração com o mundo. Isso para mim faz todo o sentido.

P: O que vem primeiro quando concebes um trabalho, a necessidade de impactar visualmente ou explicitar uma ideia?

R: Acredito que o olho, assim como o ouvido, seja um órgão sensível, que quanto mais virtuoso for o estímulo, maior a resposta sensorial. Somos seres sensoriais, não podemos perder de vista essa nossa capacidade. Acredito que a arte tem a ver com isso. E a ideia faz parte disso, então traduzir esta ideia por meio de um linguagem é o papel do artista.

P: Como você lida com a tecnologia na arte?

R: Instiga-me a possibilidade de preencher de significados esses espaços da tecnologia. A tecnologia em si já resolve muitas coisas técnicas, cabe ao artista preenchê-la de significados. Sem isso ela tende a cair no vazio e na frieza. Meu trabalho se pauta muito numa espécie de desprogramação/reprogramação dos instrumentos técnicos - logo a tecnologia se faz imprescindível. Utilizo o projetor para algo que de certa forma não é a sua função. Eu sou apaixonada por tecnologia, mas fascinada por um pensamento de desconstrução da função destes dispositivos e da utilização deles para a produção de outros sentidos além da função técnica.

P: Como se constrói o caminho do artista? Quais as dicas para quem começa a desenvolver trabalhos visuais?

R: Acredito que a construção do artista se dá em primeiro lugar pela necessidade de comunicação. A arte é uma forma de estar no mundo e de lhe dar com a vida. A dica é ver muito, conhecer a história da arte e viver! Perceber a vida como matéria da arte e que a matéria da arte está em todo lugar: dentro de você, da sua casa ou além da janela da sua casa. É uma espécie de visão contemplativa, mas principalmente ativa, que quer se interpor, dizer, agir e dialogar com tudo isso. Eu sou apaixonada pela vida, pela arte e por cada segundo desse momento único que passamos por aqui.

P: Como será a sua participação no TEDxVer-o-Peso?

R: Foi uma surpresa muito boa ter recebido o convite, primeiro porque admiro e acompanho a iniciativa do TED há algum tempo e sempre admirei a forma livre e instigante com que eles conduzem a proposta. Os palestrantes vão desde Al Gore ao artista paraense e amigo Alexandre Sequeira, que participou da edição em Manaus e fez uma das falas mais bonitas que assisti no TED.

Acho que devo falar da minha experiência de vida como artista na busca de sentido e diálogo com o mundo a partir da arte, tendo como vetor de tudo isso o #Symbiosis. Acho que o foco é fazer sentir um pouco do que vivo e como me relaciono com o mundo a partir da arte.




Para mais informações sobre o TEDxVer-o-Peso